Pular para o conteúdo principal

ITEMM

BLOG

Esporte também é formação: o que a prática esportiva ensina para além da saúde

Esporte faz bem para a saúde. Isso todo mundo já sabe. A prática esportiva como combate ao sedentarismo é um conceito amplamente divulgado e aplicado por muita gente. A atividade física ajuda a controlar o peso, a fortalecer os músculos, a melhorar a capacidade respiratória, a controlar o colesterol, faz bem para o coração, os benefícios para a saúde são diversos. 

Faz bem para adultos, mas também é fundamental para crianças e adolescentes. Se levarmos em conta a quantidade de estímulos digitais (telas) que estão disponíveis para as gerações mais novas, isso fica ainda mais evidente. 

Além da saúde, há também um importante desenvolvimento da coordenação motora. Em praticamente qualquer atividade física haverá bastante movimento. Correr, saltar, mudar de direção, se equilibrar, controlar a força e executar diferentes gestos simultaneamente exige que o corpo aprenda a se organizar de maneira cada vez mais eficiente. Para crianças pequenas, com o corpo ainda em desenvolvimento, isso é fundamental. 

Dito isso, estamos aqui para destacar outras habilidades que a prática esportiva ajuda a desenvolver, para além da saúde e da coordenação motora. Habilidades que saem do aspecto físico e entram nos campos emocionais, comportamentais e mentais.  

Uma boa experiência esportiva coloca a criança diante de situações que exigem foco, atenção, tomada rápida de decisão, autocontrole e adaptação. A criança precisa observar o ambiente, antecipar movimentos, responder rapidamente aos estímulos externos e ajustar suas ações de acordo com o que acontece ao seu redor. O corpo se movimenta, mas o cérebro está trabalhando o tempo todo. Ou seja, esporte também é desenvolvimento cognitivo. 

Praticar esportes significa experimentar o erro com frequência. Uma tentativa não funciona, um movimento sai errado, uma partida ou competição é perdida, o colega consegue fazer algo que você ainda não consegue, seu adversário apresenta um desempenho mais eficiente que você. É preciso lidar com isso. 

Com orientação adequada, essas experiências, que a princípio parecem negativas, ajudam a desenvolver autorregulação emocional, tolerância à frustração, persistência e capacidade de lidar com desafios. A criança aprende, pouco a pouco, que errar faz parte do processo. 

O esporte também apresenta uma relação muito clara entre esforço e resultado. As habilidades aparecem depois de muitas repetições. A evolução costuma ser gradual, e isso ensina algo extremamente valioso: o progresso não é imediato, exige consistência e disciplina. 

Essa aprendizagem se desdobra para o momento em que a criança começa a ganhar e precisa desenvolver uma postura de humildade. Aprender a vencer sem se sentir superior. Uma vitória pode trazer confiança, mas não deve alimentar a arrogância ou o desprezo pelo adversário.  

O excesso de confiança pode enfraquecer o treino, a disciplina e a capacidade de reconhecer os próprios erros. Aprender a ganhar é entender que uma boa performance hoje não garante a próxima vitória. É necessário continuar treinando, observando, corrigindo e respeitando quem está ao seu lado. Isso é o que sustenta a evolução. 

Depois vem o benefício da convivência. Mesmo quando a modalidade é individual, existe um ambiente coletivo. Há regras, professores, colegas, adversários e diferentes formas de lidar com todos à sua volta. Nos esportes coletivos, isso é ainda mais evidente. O desempenho de uma pessoa interfere no grupo, e o grupo precisa aprender a funcionar como unidade. 

Comunicação, cooperação, respeito, responsabilidade, capacidade de receber orientação, são competências que dificilmente se desenvolvem apenas ouvindo alguém falar sobre elas. Precisam ser praticadas. 

Um jovem pode dominar perfeitamente uma técnica e ainda ter dificuldade para trabalhar em equipe. Pode ser muito talentoso e não saber lidar com uma derrota. Pode conhecer as regras e não conseguir controlar um impulso quando algo dá errado. O esporte cria situações reais para que essas habilidades sejam exercitadas. 

Quando a experiência esportiva acontece em um ambiente seguro e bem orientado, o esporte se torna uma ferramenta de formação extremamente poderosa. 

E isso ganha um peso ainda maior quando pensamos no público em situação de vulnerabilidade social. Para muitas famílias a mensalidade, os equipamentos, o transporte e até a disponibilidade de tempo se tornam uma barreira. Um projeto social pode preencher esse espaço, oferecendo, através de uma modalidade esportiva, a possibilidade da convivência, rotina, referências e oportunidades de desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. 

O resultado esperado não é uma medalha. É a criança que aprende a esperar sua vez, o adolescente que passa a controlar melhor suas reações impulsivas, o aluno que continua tentando depois de uma derrota ou aquele aluno que descobre ser capaz de fazer algo que, meses antes, parecia impossível.  

No fim, essa é uma das melhores coisas que o esporte pode ensinar: não controlamos todos os resultados, mas podemos controlar a forma como nos preparamos para o próximo desafio. Uma habilidade que serve para o tatame, para a escola, para o trabalho e para a vida. 

É esse olhar que está por trás de projetos como o Faixinha Preta, que utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de desenvolvimento para crianças e adolescentes, criando um ambiente de disciplina, convivência, respeito e superação. 

Conheça o Projeto do ITEMM abaixo: 

https://www.youtube.com/watch?v=aKcYsCe3Uxk&t=1s

Cainã Marin
 

 

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *