No primeiro texto, falamos sobre começar. No segundo, sobre escolher aquilo que realmente importa.
Mas existe um passo entre saber o que queremos e fazer algo a respeito:
assumir a nossa parte.
Quantas vezes você já se pegou pensando:
“Eu faria, mas ninguém me deu oportunidade.” , “Não deu certo porque não me avisaram.”, “Estou esperando alguém decidir.”, “Quando as coisas melhorarem, eu começo.”
Às vezes, tudo isso é verdade.
Existem decisões que não são nossas. Imprevistos acontecem. Pessoas nos frustram. Processos falham. E nem tudo está ou estará sob nosso controle.
Mas talvez exista uma pergunta importante para fazer mesmo nesses momentos:
Diante disso, o que está nas minhas mãos?
- Protagonismo não é achar que tudo depende de você
Quando falamos em protagonismo ou autorresponsabilidade, é fácil cair em uma interpretação perigosa: a de que somos responsáveis por tudo o que acontece conosco.
Não somos.
Autorresponsabilidade está muito mais relacionada à capacidade de olhar para uma situação e perguntar:
“Qual é a minha parte nisso e o que posso fazer a partir daqui?”
Existe uma diferença importante entre culpa e responsabilidade.
A culpa olha para trás procurando quem errou.
A responsabilidade olha para frente e pergunta:
“E agora?”
É justamente aí que recuperamos algo muito importante: nossa capacidade de agir.
Onde você está colocando a sua energia?
Uma ferramenta simples pode ajudar nessa reflexão. Pense naquilo que está preocupando você e separe em três espaços:
O QUE EU CONTROLO
Minhas escolhas, minha preparação, minha postura, o que digo e como reajo.
O QUE EU POSSO INFLUENCIAR
Uma conversa, uma negociação, uma relação, um processo ou uma decisão compartilhada.
O QUE EU NÃO CONTROLO
A reação do outro, o passado, os imprevistos, algumas decisões e o comportamento das pessoas.
Parece óbvio no papel. Na prática, nem sempre é.
Às vezes gastamos uma quantidade enorme de energia tentando mudar aquilo que não controlamos, enquanto deixamos de agir justamente sobre o que está nas nossas mãos.
Não posso controlar se minha ideia será aceita.
Posso escolher como vou apresentá-la.
Não posso controlar como alguém receberá um feedback.
Posso cuidar da maneira como vou conduzir a conversa.
Não posso controlar todas as oportunidades que vão aparecer.
Posso me preparar e também criar movimento para que novas possibilidades apareçam.
A pergunta deixa de ser “por que isso está acontecendo comigo?” e passa a ser:
“Qual é o movimento possível agora?”
- Protagonismo também é pedir ajuda
E aqui existe outro ponto importante: ser protagonista não significa resolver tudo sozinho.
Às vezes, assumir responsabilidade é justamente reconhecer que precisamos de ajuda.
Pode ser fazer uma pergunta. Buscar conhecimento. Propor uma conversa. Admitir um erro. Renegociar um prazo. Dizer que não sabe.
Protagonismo não é carregar tudo nas costas. É assumir as escolhas que são nossas.
Um pequeno exercício
Pense em uma situação que esteja incomodando você neste momento e responda, baseado no que lemos a pouco:
O que eu controlo?
O que posso influenciar?
O que preciso aceitar que não controlo?
E, por último:
Qual é a menor ação que depende de mim e que eu posso fazer agora?
Talvez seja uma conversa. Uma decisão. Um pedido de ajuda. Ou simplesmente uma mudança de postura.
Porque protagonismo não é acreditar que tudo depende de nós.
É parar de esperar que tudo dependa dos outros.
No primeiro texto, falamos sobre começar. No segundo, sobre escolher. Hoje, sobre assumir a nossa parte.
Agora nosso próximo passo, em nosso próximo texto, será lembrar que praticamente nada importante construímos completamente sozinhos. Em um mundo cada vez mais conectado, será que estamos encontrando mais formas de nos comunicar e menos oportunidades de realmente nos conectar?
Até a próxima!
Karol


