Eu cresci ouvindo a minha mãe dizer que eu deveria estudar se quisesse melhorar a minha vida. De acordo com os dados que encontrei, minha mãe estava correta, pois as pessoas com ensino superior ganham em média 126% a mais do que as pessoas que cursaram o ensino médio completo, sendo que no Brasil, mais da metade da população (com 25 anos ou mais) não concluíram a educação básica.
Mas uma informação que eu descobri durante as minhas pesquisas, é a que trabalhar durante a juventude, também pode ajudar a melhorar vidas. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o desemprego juvenil aumenta de maneira geral no mundo, principalmente nos países com renda elevada, mas aqui no Brasil, o programa do Jovem Aprendiz bate recordes consecutivos de contratações, ampliando o acesso a empregos formais, sendo que em nossa realidade, para 57% jovens aprendizes, o seu salário compõe parte significativa da renda familiar. Entre os aprendizes de classe social menos favorecida, esse percentual chega a 70% dos jovens.
Além disso, de acordo com o estudo apresentado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), que acompanhou a trajetória profissional de pessoas que passaram pelo programa do jovem aprendizes, constatou que entre este grupo, 10 anos após passarem pelo programa, a taxa de emprego é maior que a média e a renda chega a ser incrementada entre 24% e 35%.
Isso demonstra que o programa do jovem aprendiz também pode ser considerado uma política de mobilidade social, unindo profissionalização, educação, trabalho e renda, o pacote base para a igualdade e justiça social. De acordo com um estudo publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico em 2018, o Brasil é o segundo país com a pior mobilidade social, sendo que os fatores mais determinantes para uma pessoa nesse sentido, é a sua escolaridade e o nível de renda de seus pais. Também de acordo com esse estudo, os 10% mais pobres do Brasil demorariam nove gerações para chegar à renda média da população.
Apesar de todo estes dados e termos técnicos, falo aqui de algo simples e comum a todos: a busca pela felicidade e por boas condições de vida. Para construirmos uma realidade mais justa e produtiva, temos que criar políticas que gerem oportunidades e riqueza, além de fortalecer a políticas de já existem nesse sentido, como o programa dos Jovens Aprendizes. Políticas que redistribuem a renda contribuem para a mobilidade social, para o combate à pobreza extrema e movimentam o consumo, mas não educam, não proporcionam novas oportunidades de formação, desenvolvimento e trabalho.
Instrutor Francisco C. de Medeiros

Referências:

