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Por que adiamos aquilo que mais importa?

“Eu não estou dando conta de tudo”, “parece que estou sendo engolida pelo tempo” – imagino que essas sejam frases que você ouve ou até fala com frequência. Temos listas, aplicativos, lembretes, tecnologias que prometem milagres de produtividade e, ainda assim, terminamos o dia com a sensação de que fizemos muita coisa, mas não necessariamente aquilo que realmente importava e que sempre sobra uma grande lista de tarefas para o dia seguinte.

Olá, prazer! Meu nome é Karoline Fernandes, gestora do ITEMM e nessa coluna gostaria de dividir algumas reflexões sobre a nossa relação com o tempo x produtividade x procrastinação.

Como bem pontua o filósofo Mario Sergio Cortella em suas reflexões “eficiência sem sentido gera apenas exaustão”. Afinal, não adianta apenas fazer mais. Precisamos entender para onde estamos indo e por que estamos escolhendo aquele caminho.

Mas existe uma pergunta curiosa: por que adiamos justamente aquilo que é importante para nós? Aquilo que nós mesmos decidimos fazer, sem ninguém cobrando?

Quando pensamos em trabalho, estudos, atividade física ou qualquer novo projeto, fica mais fácil entender alguns dos motivos que nos fazem apertar o famoso botão do “depois eu faço”.

Às vezes é o medo e a insegurança. O receio de falhar, de não dar conta ou de não fazer bem pode ser suficiente para o cérebro preferir nem começar.

Às vezes é o perfeccionismo. Queremos fazer tão bem feito que esperamos o momento ideal, a organização perfeita, o cenário perfeito… e, enquanto esperamos tudo se alinhar, a ideia fica parada.

Também existe a falta de clareza. Quando algo parece grande demais, confuso ou complicado, o cérebro olha para aquilo como uma montanha. E, convenhamos, ninguém acorda animado para escalar uma montanha antes mesmo do café.

E, claro, existem aquelas tarefas que simplesmente parecem chatas. Algumas atividades exigem esforço e não entregam uma recompensa imediata. Então, de repente, organizar aquela planilha parece muito menos interessante do que assistir “só mais um vídeo” no celular (que misteriosamente nunca dura só um vídeo).

Além disso, o cansaço emocional e mental pesa. Ansiedade, sobrecarga e uma rotina cheia podem diminuir nossa energia para iniciar até aquilo que sabemos que faria bem para nós.

Mas tudo isso nos leva a uma reflexão importante: mesmo sabendo o que queremos, saber o motivo pelo qual queremos algo não torna o caminho automaticamente fácil.

Nossa mente continua reproduzindo padrões aprendidos ao longo dos anos. Se você tentou começar uma dieta várias vezes e desistiu, se iniciou projetos e abandonou no meio, seu cérebro pode ter criado uma narrativa conhecida: “você sempre faz isso, então provavelmente vai acontecer de novo”.

E, na tentativa de nos proteger da frustração, ele tenta nos convencer a nem tentar.

Por isso, a única forma de mudar essa história é começar.

Não quando estiver tudo perfeito. Não quando tiver mais tempo. Não quando comprar tudo que precisa.

Comece no meio do dia. Comece com pouco. Comece sem estar 100% preparada.

Porque muitas vezes a motivação não vem antes da ação. Ela aparece depois que damos o primeiro passo.

Para que uma mudança de hábito seja sustentável, ela não pode depender apenas de força de vontade. Precisamos construir sistemas que facilitem nossas escolhas.

Aqui vão algumas estratégias simples, mas que poderão ser a virada de chave para essa inércia:

REGRA DOS DOIS MINUTOS:

Uma estratégia simples é a Regra dos Dois Minutos: tornar o início tão pequeno que seja difícil encontrar uma desculpa para não fazer.

Quer ler mais? Leia duas páginas. Quer começar a treinar? Vista a roupa de treino. Quer organizar sua rotina? Reserve cinco minutos. O objetivo inicial não é a grande transformação. É ensinar ao cérebro que começar é possível.

EMPILHAMENTO DE HÁBITOS:

Outra ferramenta poderosa é o Empilhamento de Hábitos: conectar um novo comportamento a algo que já faz parte da sua rotina.

A lógica é simples: “Depois de fazer algo que já faço, vou iniciar aquilo que quero construir”. Por exemplo: depois de fechar a última planilha do dia, vou dedicar cinco minutos para organizar minha agenda do dia seguinte.

ARQUITETURA DO AMBIENTE:

E existe ainda a Arquitetura do Ambiente. Muitas vezes, não precisamos de mais disciplina; precisamos de um ambiente que trabalhe a nosso favor. Se quer focar em um projeto, deixe o celular longe. Se quer estudar, facilite o acesso ao material. Se quer fortalecer conexões profissionais, deixe ferramentas importantes mais próximas. O ambiente influencia nossas escolhas muito mais do que imaginamos.

O SORTEIO DAS ATIVIDADES CHATAS (e que já estão fazendo aniversário de procrastinação… risos) Essa é uma estratégia “nova” que vi algumas pessoas falando nas redes sociais e que achei genial!

Anote individualmente em um papel aquelas atividades muito chatas, que procrastinamos há tempos, mas que sabemos que precisam ser feitas. Dobre esses papéis como faríamos em um sorteio de amigo secreto e sorteie uma atividade por dia (ou de acordo com a sua disponibilidade/ complexidade das atividades). Mas importante! É necessário um interesse genuíno em concluí-las, para não cair na armadilha de procrastinar o sorteio e resolução dessas atividades. Esta é uma ideia simples, mas que trouxe uma reflexão interessante: às vezes, um pequeno incentivo é suficiente para nos ajudar a testar algo novo.

Novos hábitos podem nascer de pequenos estímulos. Mas tudo começa com uma decisão.

A motivação nos ajuda a começar, mas é o sistema que nos mantém no caminho.

Então, talvez hoje não seja o dia de mudar tudo. Talvez seja apenas o dia de começar.

Um pequeno passo. Um novo movimento. Uma nova possibilidade.

Fez sentido para você?

Até a próxima!

Karol

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Respostas de 3

  1. Adorei a reflexão!Produtividade não é fazer mais, mas priorizar o que realmente importa. Pequenos passos e constância podem transformar hábitos e resultados.

  2. Excelente reflexão! Às vezes, ficamos esperando o momento ideal para começar e acabamos adiando justamente aquilo que mais importa. Gostei muito da abordagem sobre começar pequeno e construir sistemas que facilitem nossas escolhas. Um texto que realmente faz a gente parar e pensar!

  3. Excelente reflexão, Karoline!

    A parte que mais me chamou a atenção foi: “a motivação nos ajuda a começar, mas é o sistema que nos mantém no caminho.” Muitas vezes esperamos sentir vontade para agir, quando, na verdade, precisamos simplesmente criar condições para dar o primeiro passo e colocar em prática aquilo que sabemos que precisamos fazer. Agora não tenho mais como deixar a academia para depois… rsrs

    Parabéns pela estreia na coluna! Que venham muitas outras reflexões como essa.

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