No primeiro texto, falamos sobre começar. Mas, pensando bem, antes de decidir como começar, talvez precisamos responder a uma pergunta ainda mais importante: começar o quê?
Imagine que você ganhasse três horas a mais no seu dia. O que faria com elas?
Agora imagine que essas três horas desaparecessem amanhã. O que você sentiria falta de ter feito?
Talvez essa segunda pergunta seja mais reveladora.
Quando pensamos em produtividade, costumamos perguntar: “Como fazer mais?”
Mas talvez a pergunta anterior seja: “Mais do quê?“
E, no fundo, essa pergunta abre espaço para outra ainda mais importante: o que realmente merece ser feito com o tempo que temos?
Afinal, de que adianta organizar perfeitamente o nosso tempo se não sabemos o que merece estar dentro dele? O que realmente importa? Qual o propósito dessa agenda cheia?
Quando falamos em propósito, muitas vezes imaginamos uma grande missão de vida. Mas talvez seja algo mais simples.
Propósito pode estar na carreira que queremos construir, na família que queremos cuidar, nas relações que queremos cultivar, na saúde que queremos preservar ou na pessoa que queremos nos tornar.
Talvez propósito seja menos uma resposta definitiva e mais uma direção – e essa direção pode mudar.
Por isso, vale perguntar de tempos em tempos:
O que importa para mim agora?
E como transformar isso em escolha?
Saber o que importa é apenas o começo. Depois, precisamos proteger espaço para isso.
Uma ferramenta simples pode ajudar. Ao olhar para sua lista de tarefas, pergunte:
- Isso é importante ou apenas urgente?
- Isso me aproxima de algo que considero importante?
- Se eu só pudesse fazer três coisas hoje, isso estaria entre elas?
Depois, classifique:
- OURO: precisa da minha energia.
- PRATA: pode esperar.
- BRONZE: pode ser delegado, simplificado ou eliminado.
- VIDA: não é tarefa, mas importa.
Uma conversa. Um almoço sem pressa. Brincar com os filhos. Treinar. Descansar. Estar com alguém – porque algumas das coisas mais importantes da vida não produzem resultados mensuráveis.
E nessa reflexão é importante lembrar que escolher também é dizer não, pois prioridade sem renúncia é apenas uma lista de desejos.
E para finalizar proponho um exercício para essa semana – liste e realize:
Uma coisa que precisa ser feita
Uma coisa que realmente importa.
Uma coisa que você quer viver.
Pode parecer pouco – mas talvez seja justamente esse o ponto.
Talvez o grande desafio não seja encontrar mais tempo, mas ter coragem de colocar no nosso tempo aquilo que dizemos que importa.
No primeiro texto, falamos sobre começar. Hoje, sobre escolher.
E talvez exista uma conexão entre as duas coisas: quando entendemos por que algo importa, fica mais fácil encontrar disposição para começar.
No próximo texto, vamos falar sobre protagonismo e autorresponsabilidade não com a ideia que tudo depende de nós, mas com a capacidade de reconhecer qual é a nossa parte.
Até a próxima!
Karol


