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Conectados com o mundo… Desconectados das pessoas!

Será que comunicar é apenas transmitir uma mensagem… ou garantir que ela realmente foi compreendida?

Vivemos na época em que conseguimos falar com praticamente qualquer pessoa do planeta em segundos.

Mesmo assim…

Há filhos que não conversam com os pais.

Líderes que não conseguem compreender suas equipes.

Casais que dividem a mesma casa, mas vivem em mundos diferentes.

Nunca estivemos tão conectados.

E, talvez, nunca tenhamos nos sentido tão distantes.

Olá! Meu nome é Valter Bosqueti, sou Analista de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) no ITEMM. Ao longo desta coluna, quero compartilhar reflexões, estudos e experiências sobre pessoas, liderança, comportamento e desenvolvimento profissional.

 

Coluna de hoje:
Conectados com o mundo… Desconectados das pessoas!

Vivemos a era da comunicação instantânea, mas talvez nunca tenhamos enfrentado tantas dificuldades para criar conexões verdadeiras.

Nunca foi tão fácil se comunicar. Para entrar em contato com alguém, basta muito pouco, e uma dessas coisas é a vontade.

Exatamente por isso, soa estranho quando alguém diz:

“Não tive tempo de te procurar.”

Ou então: “Gosto muito de você, mas faz tanto tempo que não nos falamos…”

Não deu tempo de mandar um “oi”? Quantos segundos você gastaria tentando?

Hoje é muito simples: bastam alguns cliques na tela do celular e pronto. Estejam onde estiverem, as pessoas recebem sua mensagem em milésimos de segundo. Nunca foi tão fácil falar com alguém… e nunca foi tão difícil se conectar de verdade.

Essa é uma das grandes contradições da geração atual: jovens que cresceram com acesso à tecnologia, redes sociais e informação na palma da mão, mas que, muitas vezes, enfrentam dificuldades básicas de comunicação, convivência e relacionamento no ambiente profissional. Em uma sociedade onde conversas difíceis são evitadas, resolver conflitos cara a cara se tornou desconfortável e o celular virou um lugar cômodo para se esconder, é muito mais fácil trocar interações presenciais por mensagens curtas, rápidas e, muitas vezes, superficiais.

E essa prática começa a refletir diretamente no mundo do trabalho. Não é incomum encontrar dificuldades para se comunicar com clareza, medo de se posicionar, oportunidades perdidas e, como consequência, frustração.

Mas aqui vai uma boa notícia: não precisamos nos desesperar.

No dia a dia, fica muito claro que não falta potencial, nem inteligência. O que falta, muitas vezes, é treino.

O problema não é o jovem, é o contexto: a falta de espaços para praticar conversas difíceis, escuta e convivência. E aqui vai uma dica de ouro para quem quer se destacar e se tornar um profissional diferenciado: aprenda a ouvir, arrisque-se mais, aceite o desconforto de se expressar e tenha coragem de se posicionar. Porque isso não se aprende apenas com teoria. Aprende-se com prática, tentativa, erro e evolução.

Sim, é possível!

Comunicar-se bem não é dom, é treino — uma habilidade construída todos os dias. E o jovem que desenvolve uma boa comunicação ganha confiança, destaca-se naturalmente, é visto como mais preparado e, consequentemente, cria oportunidades. Quando isso é trabalhado, os resultados aparecem, e rápido.

  • Comece falando, mesmo sem estar pronto. Muita gente espera o momento ideal e a frase perfeita, e por isso nunca começa. Comunicação se desenvolve falando, e não esperando.

  • Responda a todas as mensagens que enviarem a você. Esse esforço demonstra respeito por quem se interessou em lhe contatar.

  • Treine a escuta ativa. Você não precisa achar uma solução para tudo o que lhe dizem. Tenha paciência, espere a pessoa terminar de falar e não a interrompa. Muitas vezes, ela só quer ser ouvida, e não ganhar de brinde outro problema além daquele que veio contar.

  • Troque mensagens por conversas sempre que possível. Olhe nos olhos ao falar e participe da conversa mesmo estando quieto. Exponha-se a pequenos desconfortos, como fazer uma pergunta inteligente na sala de treinamento ou na reunião.

  • Leia bons livros e observe como grandes autores organizam ideias, constroem argumentos e expressam sentimentos.

  • Aprenda a organizar o pensamento antes de falar.

  • Para finalizar: peça feedback e aceite de verdade, é uma ótima oportunidade de melhorar.

A tecnologia não é o problema; ela é uma ferramenta. Mas nenhuma ferramenta substitui algo essencial: a capacidade de se conectar de verdade com as pessoas.

Essa reflexão nos leva a enxergar o outro lado da moeda. Se, por um lado, muitos jovens encontram dificuldades para se expressar, lidar com conflitos e construir conexões mais profundas, por outro, muitos líderes também enfrentam o desafio de compreender uma geração que cresceu em um contexto completamente diferente daquele que conheceram.

Talvez parte da dificuldade não esteja na falta de interesse ou comprometimento, mas na distância entre formas distintas de enxergar o mundo, o trabalho e, principalmente, as relações humanas. Enquanto alguns esperam conversas presenciais, longas explicações e hierarquias bem definidas, outros valorizam a rapidez, a autonomia e a troca constante de informações. Nesse cenário, a saída mais fácil costuma ser a crítica: os mais experientes enxergam falta de comprometimento, enquanto os mais jovens sentem que não são compreendidos. Mas talvez exista um caminho melhor.

Peter Drucker, considerado um dos maiores pensadores da administração moderna, dizia que “a coisa mais importante na comunicação é ouvir o que não está sendo dito”.

Talvez esse seja um dos grandes desafios das lideranças atuais: desenvolver a capacidade de perceber aquilo que está escondido por trás das palavras, dos comportamentos e até mesmo dos silêncios. Muitas vezes, o que parece desinteresse pode ser insegurança. O que soa como resistência pode ser medo de errar. O excesso de silêncio pode esconder dúvidas, ansiedade ou simplesmente a dificuldade de encontrar espaço para se expressar.

Construir pontes entre gerações exige mais do que ensinar ou corrigir. Exige curiosidade genuína, escuta ativa e disposição para compreender o contexto do outro. Porque, no fim das contas, comunicar-se bem não significa apenas transmitir uma mensagem, mas criar conexões verdadeiras entre pessoas que aprenderam a enxergar o mundo de maneiras diferentes.

E você, o que tem feito, na prática, para se comunicar melhor todos os dias?

Valter Bosqueti

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Respostas de 8

  1. Excelente reflexão! A comunicação é essencial e não percebemos que estamos perdendo essa conexão.
    Muito bem abordado!

  2. Valter, que reflexão necessária! De fato, hoje estamos hiperconectados, mas desconectados das pessoas, pensar sobre as nossas relações e como estamos, obrigada pelas dicas, com certeza irei buscar aplicá-las!

  3. A desconexão em meio à hiperconexão — em uma reflexão que toca, provoca e faz pensar. O que mais me chama atenção é a lucidez com que ele enxerga o comportamento humano. Valter não aponta dedos, não culpa gerações, não simplifica o complexo. Ele faz o contrário: amplia o olhar, contextualiza, acolhe. Mostra que o problema não é a tecnologia, nem os jovens, nem os líderes — é a falta de prática, de espaço, de coragem para conversar de verdade.
    E isso ele faz com uma generosidade que só quem realmente entende de gente consegue transmitir. A coluna inteira é um convite — elegante, profundo e necessário — para que cada um de nós se responsabilize pela forma como se comunica e se conecta. Valter escreve como quem realmente se importa com o desenvolvimento das pessoas, e isso transparece em cada linha.
    É inspirador ver alguém que não apenas entende de comunicação, mas vive o propósito de aproximar pessoas em um mundo que insiste em afastá-las. Parabéns pela excelente coluna! Aguardando ansiosamente pelas próximas!!

  4. Perfeita reflexão Valter, parabéns!

    Um mundo onde a conexão com o wi-fi é mais presente que a conexão humana haha

    Ótimas dicas para melhorar a comunicação, eu aderirei com certeza.

  5. Excelente artigo, Valter!

    A provocação sobre “comunicação ser treino e não dom” é essencial. Diariamente vemos o quanto os jovens têm potencial e inteligência, mas precisam de espaços de acolhimento e prática para perder o medo de se posicionar e lidar com conversas difíceis. Conectar gerações exige exatamente isso: escuta ativa e empatia de ambos os lados.

    Parabéns pelo texto!

  6. Ótima reflexão sobre os desafios da comunicação na atualidade, mostrando que criar conexões verdadeiras exige escuta, empatia e prática. .Parabéns!

  7. Excelente reflexão! Desenvolver a comunicação, a empatia e a abertura ao feedback fortalece os relacionamentos e prepara jovens e líderes para construir ambientes mais colaborativos e produtivos.

  8. Excelente reflexão! Em um mundo cada vez mais conectado pela tecnologia, fortalecer a escuta, o diálogo e a empatia tornou-se um diferencial essencial. Comunicação de verdade acontece quando criamos conexões humanas, e isso faz toda a diferença nas relações pessoais e profissionais. Parabéns pela excelente abordagem!

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